terça-feira, 2 de dezembro de 2014

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Veja essa Homenagem ao Município do Crato em seus 250 anos

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sábado, 22 de novembro de 2014


terça-feira, 18 de novembro de 2014

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O polêmico bispo de Salvador

Gazeta de Notícias -=

por Consuelo Pondé de Sena

Publicada em 24/03/2010 00:17:10
Figura muito discutida desde os tempos coloniais, o primeiro bispo do Brasil, D. Pero Fernandes Sardinha, passou à história como um religioso beligerante, que se deu mal na missão espiritual que lhe caberia desenvolver na América Portuguesa. Dele têm sido feitas muitas análises rigorosas, especialmente voltadas para as discórdias que o separaram do segundo governador, D. Duarte da Costa, e demais pessoas que viviam na Colônia.
Segundo o notável historiador Capistrano de Abreu, da autoria do religioso existem três cartas, uma escrita de Cabo Verde, datada de 11 de abril de 1551, outra da Bahia, de 11 de junho de 1552, e a terceira, também da Bahia, de 11 de abril de 1554.
A primeira missiva dá conta da saída do bispo, de Lisboa, no dia 24 de março, juntamente com a armada que seguia para a Índia. Carta assinada pelo padre Manoel da Nóbrega atesta que o bispo chegou a Salvador no dia 23 de junho de 1552.
De acordo com Capistrano, a carta de 1554 pertence ao ano 1955, desde quando existia uma diferença entre a cronologia comum e a adotada pelo bispo. Supõe-se que ele não contava o ano civil a partir do dia 1º de janeiro, antes privilegiando o ano da Encarnação, por muito tempo usado pela cristandade.
Tudo indica que o bispo era um homem de temperamento irascível, pouco dado às amizades e vivia em constante discórdia com os religiosos.
O governador Duarte da Costa, por sua vez, não gozava de boa fama e fazia carga contra o bispo. Narrou, por exemplo, que desejando fazer uma visita episcopal a Pernambuco não almejou ser substituído por Gomes Ribeiro, malgrado terem se harmonizado, mais de um ano após a volta deste das capitanias do Sul, em companhia de Tomé de Souza. Viagem breve, pois a 26 de junho de 1554, o bispo já se encontrava em Salvador.
A bula de criação do bispado de São Salvador, denominada “ Super Militantis Ecclesiæ, expedida aos 25 de janeiro de 1551, levou o bispo a viajar para o Brasil, em fins de setembro, de sorte que antes do final do ano já se encontrava na sua diocese. Em 1552, foi instalado o primeiro bispado em Salvador. De pronto, incompatibilizou-se com os jesuítas, por causa dos indígenas, depois com D. Duarte da Costa, cuja disputa decorreu do mau comportamento de seu filho, D. Álvaro da Costa, considerada inaceitável pelo bispo. Por conta dessa indisposição, foi o bispo chamado a Lisboa, mas o navio em que viajava, em companhia de cerca de 100 pessoas, naufragou no litoral de Alagoas.Triste fim do prelado, devorado pelos índios caetés, sem ter condições de serem avaliados os problemas que lhe causaram e que também provocou nos habitantes da Cidade do Salvador.
Em 1676, a diocese da Bahia passou à dignidade de arquidiocese, com uma área maior que a diocese.
Assim, no final do século XVIII, existia, na colônia portuguesa (Bahia), seis dioceses: Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão, Pará, Mariana e São Paulo e duas prelazias: Goiás e Mato Grosso.
Certo é que o primeiro bispo do Brasil ficou, para todo e sempre, marcado na história como um homem de difícil convivência, intransigente e duro. É sabido que instalado o primeiro bispado em Salvador, D. Pero Fernandes Sardinha inimizou-se com os jesuítas, por serem esses religiosos mais tolerantes em relação aos costumes indígenas. O bispo severo e radical em seus princípios religiosos não sabia o que era “flexibilização”. Considerava que a catequização deveria ser rígida e capaz de atrair os nativos para a cultura europeia. Considerava, por exemplo, que os ameríndios só deveriam ser batizados depois que falassem o português, se vestissem e se comportassem como europeu.
Com o governador o problema se relacionava com a conduta de Álvaro da Costa, filho de Duarte da Costa, considerado imoral pelo bispo. Em razão desse desentendimento, dom Pero F. Sardinha foi chamado de volta a Portugal, tendo o navio em que viajava, em companhia de cerca de cem pessoas, naufragado no litoral de Alagoas. Os sobreviventes que conseguiram alcançar a praia, entre eles o bispo, foram devorados pelos caetés. Em revide, as autoridades portuguesas condenaram toda nação caeté e seus descendentes à escravidão.
Em todas essas informações sobre o bispo cabe uma indagação a respeito das circunstâncias em que vivia. Com quais “atores” o bispo português contracenava nesse imenso e abandonado palco tropical? Será que lhe entendiam a fala enrolada?
Sei que foi infeliz na sua missão. Indispôs-se com muitos, teve atritos com os padres, não era simpatizado pelos “donos da terra”. Enfim, não foi feliz na Bahia. Terminou tristemente transformado em “petisco” para a gente voraz e faminta de “carne branca”.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Frear desmatamento já não basta para recuperar Amazônia

Gazeta de Notícias -
Marcela Belchior
Adital
Reduzir a zero o desmatamento na Amazônia já não basta para garantir as funções climáticas do bioma. Além de manter a integridade da floresta, é preciso iniciar um amplo processo de recuperação do que já foi destruído. Quem adverte é o pesquisador Antônio Donato Nobre, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no relatório "O futuro climático da Amazônia”, elaborado a pedido da Articulação Regional Amazônica (ARA) e lançado recentemente em São Paulo.
Relatório ARA
Na publicação, são sistematizados, pela primeira vez, cerca de 200 dos principais estudos sobre o papel da Floresta Amazônica no sistema climático, na regulação das chuvas e exportação de serviços ambientais para áreas produtivas, circunvizinhas e distantes da Amazônia. O relatório aponta o potencial climático da floresta pristina, também chamada de "oceano verde”, e os impactos de sua destruição com o desmatamento e a queimada. O estudo indica ainda ações para conter os efeitos no clima provocados pela ação humana sobre a maior floresta tropical do mundo.

Relatório ARA
A queimada está entre as mais graves ações danosas à Amazônia. Foto: Relatório ARA.

A destruição do ecossistema gerará um clima inóspito. Modelos climáticos antecipam, há mais de 20 anos, os variados efeitos danosos do desmatamento sobre o clima. "Entre eles estão: a redução drástica da transpiração, a modificação na dinâmica das nuvens e chuvas e o prolongamento da estação seca”. Outros efeitos não previstos, como o dano por fumaça e fuligem à dinâmica de chuvas, mesmo sobre áreas de floresta não perturbada, também são observados. Somente no Brasil, uma área de 763.000 quilômetros quadrados já foi destruída, o que equivale a três vezes o território de São Paulo ou a 184 milhões de campos de futebol.
De acordo com o relatório, o desmatamento por corte raso atual beira os 20% da cobertura original na Amazônia brasileira, e a degradação florestal, estima-se, já teria perturbado a floresta remanescente em variados graus, afetando, adicionalmente, mais de 20% da cobertura original. "O ponto preocupante desses exercícios de modelagem é a indicação de que aproximadamente 40% de remoção da floresta oceano-verde poderá deflagrar a transição de larga escala para o equilíbrio da savana, liquidando, com o tempo, até as florestas que não tenham sido desmatadas”, alerta o pesquisador.

Relatório ARA
Desmatamento deixaria região inóspita. Foto: Relatório ARA.

Recomendações para reverter quadro
Diante desse contexto, o estudo recomenda um plano de mitigação baseado na reversão radical tanto dos danos passados quanto das expectativas de danos futuros, como um "esforço de guerra". "As florestas da Amazônia são essenciais para a manutenção do clima e, com ele, a segurança das gerações futuras. Felizmente, os avanços das ciências fazem desta guerra um desafio que pode ser bem sucedido”, avalia o pesquisador Donato Nobre.
Como ação primeira, o pesquisador aponta a necessidade de universalizar e facilitar o acesso às descobertas científicas. "Que podem reduzir a pressão da principal causa do desmatamento: a ignorância”, comenta o cientista no relatório. Em segundo lugar, será preciso zerar o desmatamento, a degradação florestal e as queimadas. Ao mesmo tempo, sendo esses os mais graves fatores de danos ao clima, é urgente desenvolver um amplo esforço para replantar e restaurar a floresta destruída.
"Tal esforço precisa ter perspectiva de médio e longo prazos, para culminar com a regeneração da floresta oceano-verde original”, alerta Nobre. "Diante disso, as elites governantes podem, devem e precisam tomar a dianteira na orquestração da grande mobilização de pessoas, recursos e estratégias que possibilitem recuperar o tempo perdido”, conclui.


Marcela Belchior

Jornalista da ADITAL

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